João Batista Santos
Laurindo era um peão, viveu sempre trabalhando na vida rural dos campos de cima da serra. Domou potros, caiu de cavalos, casou, gerou filhos, sendo que a maioria deles também se tornaram peões.
Laurindo trabalhava de sol a sol, amava a mulher e exemplava os filhos. Todos os dias sondava os céus, as nuvens, a direção dos ventos, os sons dos animais no capão de mato, pois era necessário para sua vida estar a par do clima, se chovia ou não, se viria mais frio, no inverno sempre soprava o vento minuano.
Nos momentos de folga Laurindo tomava cachaça. No rádio ouvia Tonico e Tinoco.
Um dia o convidaram para assistir um culto numa pequena casa, na periferia da cidade, de uma nova igreja, de uns crentes, a Assembléia de Deus. Ali Laurindo encontrou Jesus. Parou de beber, de brigar, passou a ter uma nova vida, com seus novos irmãos em Cristo, uma vida que continuaria melhor nos céus. Em todos os domingos passou a se ver o cavalo de Laurindo amarrado ao lado do pequeno templo.
Um dia Laurindo ficou viúvo. Triste. Foi morar na cidade e passou a andar a pé. Era o meu terror infantil, usava preso à cintura um grande canivete, eu era obrigado a me comportar, caso contrário Laurindo viria me castrar, coisa que ele fez muitas vezes com os porcos do chiqueiro.
Lembro de Laurindo no armazém de meu pai, sempre entre um chimarrão e um causo corria o epílogo: “É um fato, mas é um ato”.
A palavra é ato. Aqueles homens me deram a palavra.
sábado, 21 de abril de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)
